UFO: os Clássicos – Foo Fighters

E começamos a tratar da questão UFO. Algo tinha sido já dito no passado (links no fundo do artigo), mas agora tentamos construir um discurso mais completo.

A ideia não é responder à pergunta “O que são os UFOs?”, pois actualmente ninguém tem esta possibilidade. Mais simples (por assim dizer) é estabelecer se o fenómeno UFO exista ou não: após quase 70 anos de Ufologia moderna, responder é possível.

Os adeptos dos UFOs ficarão desiludidos com algumas das consideração que irão aparecer nesta série de artigos. O problema é que a Ciência oficial decidiu ignorar (oficialmente) o assunto e este facto deixou abertas as portas para vagas intermináveis de dementes que utilizam vários meios (em primeiro lugar Youtube) para espalhar toneladas de autêntico lixo sobre o assunto. Até o ponto que qualquer pessoa que deseje seriamente informar-se tem boas possibilidades de ficar com uma ideia totalmente errada do fenómeno.

Pessoalmente acho que qualquer fenómeno alegadamente UFO tenha que ser declarado como autêntico só depois de todas as outras explicações terem sido analisadas e descartadas, tendo como base da avaliação apenas dados científicos. Pode parecer uma afirmação óbvia, mas assim não é.

Exemplo prático. Vejam este vídeo, retirado obviamente do Youtube:

Muito triste, não é? Aborrecido e triste.
Nem todos os vídeos são tão maus: alguns até devem ter implicado um pouco de trabalho (figurantes, trabalho de computador), como este:

O facto é que um vídeo deste tipo não aguenta uma mínima análise digital: as imagens acrescentadas deixam quase sempre rastos. Até nos vídeo verdadeiramente bem feitos, como este:

Um bom vídeo, sem dúvida (boas proporções, iluminação, foco/desfoque, etc.). Mas falso, como uma análise das imagens revela (as palmeiras são todas iguais). E na internet temos só o problema da escolha: quando encontrarmos um vídeo de UFO, em 99,99% dos casos é falso.

Mas isso é hoje, acontece porque a tecnologia digital está ao alcance de todos e os UFOs são uma boa forma de auto-promoção. Com um pouco de sorte, o falso vídeo pega, totaliza centenas de milhares de visualizações e o autor ganha uns trocos (Youtube é que paga neste caso).

E antigamente? Quando não havia toda a instrumentação digital disponível hoje? Aí as coisas mudam. E é por isso que nestas primeiras partes da série vamos observar os casos definidos como “clássicos”. Por enquanto nada de antiguidade: partimos com a Segunda Guerra Mundial. E Segunda Guerra Mundial significa obrigatoriamente Foo Fighters. Não o grupo musical: o fenómeno entendo…

Foo Fighters

O termo foi cunhado pelos pilotos de caça da USAAF e da RAF durante a Segunda Guerra Mundial para descrever o fenómeno de objectos voadores não identificados observados nos céus da Europa e do Oceano Pacífico. Muitas vezes as testemunhas pensaram estar perante uma arma secreta utilizada pelo inimigo; mas também os aviadores nazistas observavam o mesmo fenómeno e chegavam às mesmas conclusões.

O assunto era tratado com seriedade pelo alto comando da Luftwaffe que, em 1944, criou a “Base Especial nº 13″ (Sonderbüro Nr. 13), um projecto secreto de investigações que tinha o objectivo de recolher, avaliar e estudar os relatórios das observações dos pilotos sobre aqueles estranhos objectos voadores que apareciam perto dos aviões alemães.

Um dos primeiros relatórios das forças aliadas é de Outubro de 1943: fala dum esquadrão de bombardeiros B-17 que voavam em território alemão. De repente, dezenas de pequenos discos prateados, com 10 cm de diâmetro e 25 de espessura, aproximaram-se. O major E.R.T. Holmes viu um destes objectos alcançar a cauda dum dos bombardeiros mas sem que isso tivesse efeitos sobre o veiculo.

Mas, como afirmado, os Foo Fighters apareceram também no cenário do Pacífico e até antes de que na Europa. Entre 1940 e 1942, na frente chinesa, os pilotos nipónicos registaram as presenças perturbadoras no ar, como mostram vários documentos fotográficos. Estes objectos foram vistos e fotografados nas regiões da Manchúria e do Mar da China, na proximidade das formações de aeronaves da Aviação Imperial Nipónica.

No Monte Suzuka, na região central do Japão, em 1942 foram fotografados os lados de um grupo de aviões dois objectos brilhantes, cuja presença permaneceu sem explicação.

Em 1943, alguns pilotos americanos em missões entre a Birmânia e a China disseram ter sido seguidos e cercados por objectos voadores “brilhantes” e que durante estes episódios os instrumentos de bordo deixaram de funcionar.

Em 10 de Agosto de 1944, o piloto capitão Alvah M. Reida, ao comando dum B-29, partiu da base de Kharagapur, na Índia, para uma missão de bombardeio sobre as instalações petrolíferas em Palembang, Sumatra, ocupadas pelos japoneses. O artilheiro direito e o seu co-piloto viram uma esfera brilhante, cor de laranja e com o diâmetro de poucos metros, que os seguia, ficando ao lado da do avião americano, a uma altitude de mais de 4.000 metros e uma velocidade de 340 kmh. Apesar das manobras realizadas por Reida, o UFO ficou ao lado incansavelmente e só passados oito minutos afastou-se para desaparecer.

Mas os encontros foram particularmente numerosos e lista-los todos seria tarefa bem demorada. Eis apenas alguns dos episódios mais conhecidos relativos ao fenómeno Foo Fighters:

1941, Oceano Índico: a partir do convés do navio polaco S.S. Pulaski, (um cargueiro que transportava tropas britânicas), dois marinheiros avistam um “estranho globo que brilha com luz esverdeada, cerca de metade do diâmetro da lua cheia”. Alertam um oficial britânico que observa os movimentos do objecto com eles por mais de uma hora.

1942, Mar de Java: poucas horas antes de participação na Batalha do Mar de Java, o USS Houston avista um grande número de estranhas trilhas luminosas ​​e luzes amarelas que iluminam o mar por muitos quilómetros ao redor.

1942, Ilhas Salomão: um encontro com sucessivo relatório vê como protagonista o oficial dos Marines Stephen J. Brickner. Depois de um alerta de ataque aéreo, Brickner e outros vêem cerca de 150 objectos agrupados em linhas de 10 ou 12 itens cada. Parecem “balançar” enquanto se movem. Brickner relata que os objectos têm uma superfície semelhante a prata polida e que parecem mover-se a uma velocidade um pouco maior do que as comuns aeronaves japonesas. Descreve o encontro nestes termos: “O mais impressionante e aterrorizante espectáculo que eu já vi na minha vida”.

1945: aparece pela primeira vez na imprensa o termo Foo Fighters. Escreve o Times:

Se não forem enganos ou ilusões ópticas, foram certamente a arma secreta mais intrigante que os caças aliados já conheceram. Na semana passada, os pilotos norte-americanos estacionados na França contaram uma história acerca dumas estranhas bolas de fogo que há mais de um mês normalmente seguem os seus aviões nos voos nocturnos para a Alemanha. Ninguém sabe o que são ou qual o fim dessas bolas de fogo. Os pilotos, pensando numa nova arma psicológica, chamam-lhes foo-fighter […]. As suas descrições e aparências variam, mas concordam que estas luzes misteriosas ficam colocadas perto dos aviões e parecem segui-los em alta velocidade por quilómetros. Um piloto disse que um Foo Fighter em forma de bola de fogo vermelha nas extremidades das asas, permaneceu com ele em uma queda livre a 360 quilómetros por hora. Em seguida, a bola desapareceu no céu.

Explicações

Até hoje foram propostas diversas teorias para explicar o fenómeno Foo Fighters.

Manobras Luftwaffe
O fenómeno pode ter sido causado pela falta de compreensão de um procedimento operacional padrão da Luftwaffe, que previa que algumas baterias de canhões antiaéreos perto dos aeródromos disparassem foguetes, que geravam trilhas de luz colorida, com intervalos regulares para ajudar os caças da mesma Luftwaffe a encontrar o seu próprio aeroporto. No entanto, os Foo Fighters foram vistos durante o dia também e eram capazes de mover-se com as mesmas altitudes e velocidades dos aviões.

Dirigíveis
Tem sido sugerido que, na realidade, os Foo Fighters fossem dirigíveis secretos da Luftwaffe. Todavia, nenhuma aeronave deste tipo foi encontrada (apenas simples esboços de projectos nem bem definidos) e um dirigível consegue alcançar velocidades bastante limitadas. Na verdade, os estudos sobre veículos com asa circular existiam (não dirigíveis), mas nenhum projecto se materializou; e, em qualquer caso, nenhuma destas máquinas poderiam ter emitido luz.

Aviões secretos
Outra explicação prevê a possibilidade que os Foo Fighters fossem aviões secretos aliados ou da Alemanha. De facto, as tentativas para obter aeronaves de asa circular materializaram-se com a criação do hovercraft (a ideia original tinha sido do cientista sueco Emanuel Swedenborg já em 1716) mas só no ano 1952. A Luftwaffe e também os aliados construíram aviões de formas incomuns (para a época) durante a Segunda Guerra Mundial, por vezes em forma que faziam lembrar um disco: mas nenhuma destas máquinas passou a fase do único protótipo por causa das dificuldades técnicas (extrema instabilidade, por exemplo).

Messerschmitt Me 163 Komet
Segundo alguns, os Foo Fighters poderiam ter sido encontros com o avião alemão Messerschmitt Me 163 Komet. Mas esta ideia não é credível: o Me 163 era completamente impróprio para o voo nocturno e tinha apenas alguns minutos de combustível, insuficientes até para tomar contacto com o inimigo à noite. Além disso, não tinha radar a bordo nem o equipamento para realizar voos sem a luz do dia.

Fogo-de-santelmo
Outra explicação sugere um tipo de descarga electrostática gerada pelas asas do avião, conhecida como fogo-de-santelmo. Este  consiste numa descarga electroluminescente provocada pela ionização do ar num forte campo eléctrico provocado pelas descargas eléctricas. Mesmo sendo chamado de “fogo”, na realidade é um tipo de plasma provocado por uma enorme diferença de potencial atmosférico. É preciso dizer que 1) os fogos-de-santelmo não são tão comuns 2) é preciso que o ar esteja fortemente ionizado (por exemplo durante um temporal) 3) não explica os Foo Fighters observados durante o dia, de aspecto prateado ou com tempo bom.

Raio-globular
Parecida mas não igual é a explicação que tenta interpretar os Foo Fighters como raios-globulares. Este é um fenómeno ainda mais raro e não totalmente compreendido. Apesar da forma ser parecida com as descrições dos pilotos da II Guerra Mundial (pequenos globos luminosos, de forma mais ou menos esférica e diâmetro variável) a excepcional raridade dos raios-globulares parece exclui-los como explicação. Além disso, este tipo de relâmpago duram poucos segundos e são lentos.

Balões japoneses
Foram considerados também os balões incendiários, arma secreta desenvolvida pelo Japão em 1941-1942, uma tentativa fracassada de começar incêndios na América usando balões de grande altitude impulsionados por ventos rápidos. Bem poucos desses balões chegaram sobre os EUA, deflagrando muitas vezes sem controle durante o voo. No entanto, nenhuma dessas armas era mais do que uma bola deixada livre de seguir as correntes de alta altitude, sem nenhuma das características dum Foo Fighters (velocidade, luz, capacidade de manobra, capacidade de interagir com os objectos externos).

Alucinação em massa

Esta é uma espécie de “último recurso” utilizado pelos cépticos no âmbito ufológico: quando todas as explicações falharem, entra em campo a alucinação. No caso dos Foo Fighters, estamos perante pilotos muitas vezes com uma grande experiência de voo, em condições particularmente complicadas (como uma batalha). Típicos “homens de barba rija” que de repente decidem ver luzinhas no céu: improvável. Além disso, tentar explicar um fenómeno inexplicável com uma teoria não demonstrável não é propriamente uma atitude “científica”.

Origem extra-terrestre
Hipótese interessante, mas como demonstra-la? Por qual razão uns alienígenas deveriam começar a brincar com aviões no meio duma guerra? E quanto eram altos estes alienígenas? 20 centímetros?
A única hipótese que pode ser considerada, eventualmente, é que os Foo Fighters fossem máquinas não tripuladas, tipo sondas. Mas fica para demonstrar a origem extra-terrestre.

Fenómeno natural desconhecido
De todas as teorias até agora apresentadas, esta parece-me a única que tenha algum sentido. Choca com a capacidade dos Foo Fighters de efectuar manobras aparentemente inteligentes, mas não pode ser excluído que alguns dos encontros tivessem como protagonistas um ou mais fenómenos naturais ainda não explicados.

Difícil, todavia, que todas as observações possam ser reduzidas a uma série de fenómenos naturais. Se tais foram, então deveriam ter aparecido de forma constante desde o início da história da aviação e depois da guerra também.

Mas, como será possível ver, depois da guerra haverá muito mais de que “luzinhas” no céu.

Via: http://informacaoincorrecta.blogspot.pt/2015/03/ufo-os-classicos-foo-fighters.html

Um pensamento sobre “UFO: os Clássicos – Foo Fighters

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