NASA esclarece boatos apocalípticos da inversão dos pólos magnéticos da Terra

Agência espacial afasta rumores que ligam o fenômeno a uma possível hecatombe global

Ilustração esquemática do campo magnético da Terra

Quem vê na inversão de pólos um sinal do fim do mundo afirma que as mudanças no campo magnético no planeta vão arruinar a migração de espécies animais, expor a atmosfera à radiação solar mortal e mudar o eixo da Terra, levando o gelo dos pólos a derreter, inundando os continentes.

Para os cientistas da Agência Espacial Norte-Americana (NASA), porém, isso não ocorrerá. A inversão de polos é regra, não exceção, afirmam eles, e já ocorreu diversas vezes desde que existe vida na Terra. Os dinossauros e nossos ancestrais hominídeos já passaram pelo evento, que ocorreu pela última vez há cerca de 800 mil anos.

Segundo a agência, o campo magnético do planeta pode até enfraquecer durante o processo de inversão, que pode durar milhares de anos, mas não irá sumir porque é fruto do movimento incessante do núcleo da Terra.
Um artigo publicado na última semana no site da NASA [Veja 2012: Magnetic Pole Reversal Happens All The (Geologic) Time] afasta qualquer possibilidade da mudança do pólo magnético da Terra causar o apocalipse. Fonte de muitas teorias sobre o fim do mundo, essa inversão magnética não deve varrer os seres vivos da face da Terra ou mudar o eixo de rotação do planeta, diz o estudo. “Os registros fósseis não mostram nenhuma mudança dramática na vida de animais e plantas da época da última inversão”, afirma o texto.

O pólo norte magnético da Terra “viaja” a 64 km por ano e já está a 1.100 km ao norte do ponto em que pesquisadores o localizaram pela primeira vez, no século 19. A velocidade do ponto para o qual apontam as bússolas tem aumentado — era de 16 km por ano no início do século 20 — e deve levar a uma inversão dos pólos magnéticos do planeta.

crédito: Dixon Rohr/NASA’s Goddard Space Flight Center

Um diagrama esquemático do interior da Terra eo movimento do norte magnético 1900-1996. O núcleo externo é a fonte do campo geomagnético. Para acessar a imagem com maior resolução, clique aqui

Diagrama esquemático do interior da Terra eo movimento do norte magnético entre 1900 e 1996. O núcleo externo é a fonte do campo geomagnético. Para acessar a imagem com maior resolução, clique aqui

Hecatombe magnética?

Para pesquisadores da NASA, já não era sem tempo para que isso ocorresse, pois os campos magnéticos do planeta mudam a cada 200 ou 300 mil anos, mas já faz 800 mil anos desde a última mudança. Se alguém usasse uma bússola antes disso, o ponteiro não apontaria para o Norte, e sim para o Sul.
De acordo com os cientistas, o campo magnético da Terra — que ajuda a proteger os seres vivos da radiação solar — foi formado por que o núcleo do planeta, constituído por uma parte sólida cercada por um mar de metais derretidos, cria correntes elétricas muito fortes. Essa eletricidade é a base do eletromagnetismo e o lugar para onde ele aponta varia ao sabor das mudanças das placas que formam o núcleo. Essas mudanças podem ser inferidas por meio de computadores que usam os dados do campo magnético.
A inversão dos polos magnéticos, ainda segundo a NASA, não vai acontecer rápido. É um processo que dura centenas ou milhares de anos, período no qual o “pólo norte magnético” deve aparecer em diversas latitudes. Por isso, segundo o artigo, não há nada que indique que as previsões para o fim do mundo em 2012, por exemplo, tenham relação com a inversão de pólos. Quando ela ocorrer, conclui o texto, de maneira bem humorada, “pode significar a oportunidade de bons negócios para os fabricantes de bússolas magnéticas”.

 

Fonte: UFO

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